
A busca pelo Graal, iniciando minha Jornada Pessoal neste ano de 2009. 2008 foi pra lá de movimentado e o casamento, a realização de um grande sonho ou talvez o maior de todos, trouxe a felicidade esperada, mas não dá para negar que é uma grande mudança e que viver a dois é uma arte. Com o foco no casamento e na vida a dois e em todas as transformações que tem ocorrido na minha vida desde então, acho que me perdi de mim mesma… Me encontrei e me perdi… Onde estava eu no meio da turbulência, da mudança, das viagens do Renato (é, ele continua viajando, não mais de SP para cá, mas para vários outros lugares a trabalho, Inglaterra, Macaé, Taubaté…), do convívio diário com as diferenças?
Não sabia mais quem eu era… Muito muito muito feliz e rodeada de conflitos e ainda indefinições….
Mas com o final do ano e o início do novo parece que de tanto lutar, de tanto me exasperar, resolvi me abrir, para as novidades, para me conhecer mais, para enfim enfrentar de frente meus fantasmas…
Bem, eles continuam me assombrando, como antes, mas acho que estou começando a lidar melhor com eles. Se você não pode com eles, então junte-se a eles, hehehe. Estamos num momento de convivência pacífica, eu e os fantasmas e eles não estão mais se divertindo tanto quanto antes, quem sabe agora eles vão embora, hehehe.
Comecei o ano sem grandes expectativas, na verdade apenas não queria mais “false starts”, não queria fazer promessas de recomeços e muito menos achar que tudo ia ser diferente só porque o ano mudou, porque a experiência já me dizia a muito tempo que nunca é… Se você de fato não faz por onde ser diferente, nada muda simplesmente pela nossa vontade. A promessa do novo está sempre lá, esperando pela nossa coragem de se entregar a ela.
Não vou dizer que me entreguei, estou longe disso, mas acho que somente pelo fato de não me prometer mais nada, acabei conseguindo alguns novos começos, mesmo sem estar perseguindo-os.
De repente eu e Renato começamos a nos abrir para novas possibilidades para nossa vida, estamos aberto para boas mudanças (tenho que dizer boas, senão o Universo pode entender errado), mesmo de cidade e quem sabe até de país. Temos conversado muito sobre isso.
Continuo com minhas dores de corpo e de alma, continuo lutando com o excesso de peso, mas acho que estou me reencontrando no trabalho. Uau!
Uma pequena mudança, uma tentativa de organização, uma reapresentação, maior clareza do que quero e gosto de fazer (mesmo que no futuro próximo) e UM CONVITE REPENTINO que mudou tudo. De repente me sinto energizada e salva pelo trabalho. De repente tudo passa a fazer mais sentido e quero mergulhar no trabalho e em todas as coisas novas que estão vindo com ele. Será que essa sensação é química? Não importa, o químico também faz parte de mim, afinal o químico se integra ao meu organismo e gera algo que já não é mais separado dele e sim a minha forma única e singular de assimilá-lo e torná-lo parte inseparável de mim.
Não importa de onde vem, vem de mim e está me fazendo muito bem nesse momento que me volto para a minha Jornada Pessoal, a busca pelo MEU Graal. A minha cura, o meu crescimento, a minha maturidade, a minha vida, me sentir viva e vivendo de fato. De repente 30 (hehehe) e agora mais perto dos 40. As dores do crescimento. Sou adulta, me dou conta disso. Quando mais jovem, achava que quando me tornasse adulta me sentiria outra pessoa, totalmente diferente. E me surpreendo ao ver que continuo me sentindo do mesmo jeito que sempre me senti, mas muito melhor, não tenho muitos sentimentos de nostalgia. Me dar conta de que me tornei adulta e que sempre me sinto melhor do que antes é muito bom. De repente começo a me perguntar qual é o sentido da vida, de repente vejo que meus planos mudaram, os sonhos, os ideais, as fantasias. Caí na real e a real nem sempre é boa de se encarar. Mas não tenho mais tantas ilusões e isso é bom. Estou à procura do meu Graal, something is missing… Where’s the meaning? Não é uma entidade, um espectro, algo distante, grandioso e intangível que busco. Está na simplicidade do momento presente tão difícil de ser sorvido, saboreado e integrado. Quero sentir que estou VIVA e plena, me aceitar como sou, com minhas fraquezas e meus talentos e tesouros, quero gostar da minha companhia, quero viver o meu tempo. Por isso começo a me incomodar um pouco com o fato de estar me aproximando dos quarenta, porque ainda quero viver tanto!!!!!! E o tempo está passando… As areias estão correndo… Já deixei muitas correntes pra trás, mas ainda tenho muitas para soltar… Quero ser livre…. Por isso ninguém entende porque eu gosto tanto de fotografar pés no chão, pés na areia, pés com hawaianas, hehehe. É pelo sentido metafórico que tem para mim de liberdade, soltura, descanso…

Estou lendo, por indicação da Dri (minha médica e amiga e terapeuta as vezes, hehehe) Mulheres que Correm com os Lobos (Clarissa Pinkola Estés) e estou adorando.
Para finalizar esse post deixo aqui uma citação do livro:
“Por isso, igual a muitas mulheres antes de depois de mim, passei minha vida como uma criatura disfarçada. À semelhança da parentela que me precedeu, andei cambaleante em saltos altos e fui à igreja usando vestido e chapéu. No entanto, minha cauda fabulosa muitas vezes aparecia por baixo da bainha do vestido, e minhas orelhas se contorciam até meu chapéu sair do lugar, no mínimo cobrindo meus olhos e às vezes indo parar do outro lado da nave.
Não me esqueci da canção daqueles anos sombrios, hambre del alma, a canção da alma faminta; mas também não me esqueci do alegre canto hondo, o canto profundo, cuja letra volta à nossa mente quando nos dedicamos à regeneração do espírito”
Não quero viver disfarçada… Sou uma alma faminta!
Que Parsifal me cure, que escrever continue me curando, que a música e o todo o êxtase que ela me traz continue me curando e que as minhas histórias me curem e regenerem meu espírito!
Amém!